Handmaid’s Tale e o conto do Bolsomito

Todo bolsominion deveria assistir a Handmaid’s Tale, no abrasileirado Conto da Aia, série cuja segunda temporada estreia no Brasil hoje na TV paga. Por quê? Para compreender com qual tipo de gente se está se associando e, ainda mais, como na história (a com “H”, digo) sempre teve esse tipo de gente.

Um dos momentos que mais me marcaram (e foram muitos) na primeira temporada foi quando June, que entre bolsominions seria chamada de Offred – caso a distopia da história se concretizasse; e já ocorreram coisas bem similares na trajetória desta muitas vezes triste civilização –, descobre que sempre que existe um “them” há também “us”. Na história, sem dar muitos spoliers, um grupo de fanáticos se aproveita de várias mentiras (ouvi fake news?) para tomar o poder nos EUA e criar uma nação autocrata, religiosa e patriarcal que, em nosso mundo, seria algo como um nazismo em novos moldes. Isso para simplificar a ilustração da coisa toda, que é bem mais complexa.

Depois de ser estuprada, torturada etc., e ainda de forma “regularizada” pelo novo governo, que pune fisicamente gays, adúlteras (homens, nunca) e mulheres férteis (homens, nunca), June, interpretada pela afiadíssima Elisabeth Moss, descobre o óbvio: a existência de mocinhos que formam um grupo de revolucionários contra a ditadura. Aí é que ela se toca que quando há “them”, eles, que são os repressores, é inevitável que existam “us”, nós, os que resistem, os progressistas, os rebeldes.

Em época de eleições tão tenebrosas quanto as atuais, natural lembrar dos discursos de Bolsonaro, tão similares aos dos “them” de Handmaid’s Tale. Então, proponho que seus seguidores vejam a série. Não para necessariamente mudar de opinião (o que seria ótimo, contudo sei de quais tipos de chucros tratamos aqui), mas ao menos ter ciência de qual lado se está na escolha dentre “them” e “us”.

Eu sempre estarei com “us”, com a prioridade de deixar que as pessoas vivam, sejam quem são e possam dialogar em paz, sobre o que for. Não quero, de forma alguma, me tocar daqui uns anos como fiquei do lado errado da história; afinal, como refletiram depois de décadas aqueles alemães que apoiaram o nazismo, por exemplo, antes de se tocarem do que realmente se tratava o nazismo? E você, é um “them” ou um “us”?

Em tempo: a série é do caralho. Recomendo a todos, não só bolsominions, evidentemente, porém acho que seria bom destacar a eles, que provavelmente devem ter ojeriza a conteúdos do tipo, não pensados para o consumo de mentes chucras.

3 comentários em “Handmaid’s Tale e o conto do Bolsomito

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